Bebido o Luar...

Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Visita-me...




Visita-me Enquanto não Envelheço

visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado

tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores

ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos

antes que desperte em mim o grito
dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro

perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água

com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te

Al Berto, in 'Salsugem'








A verdade...



"Os homens não conhecem o que conhecem os deuses. O que, às vezes, os homens consideram como uma

verdadeira desgraça, nada mais é que um verdadeiro bem para seu aperfeiçoamento moral".

Sócrates

Inter-Sonho...

Inter-Sonho


Numa incerta melodia

Tôda a minh'alma se esconde

Reminiscencias de Aonde

Perturbam-me em nostalgia...

Manhã d'armas! Manhã d'armas!

Romaria! Romaria! . . . . . . . . . . . . . . .

Tacteio... dobro... resvalo... . . . . . . . . . . . . . . .

Princesas de fantasia

Desencantam-se das flores... . . . . . . . . . . . . . . .

Que pesadêlo tão bom... . . . . . . . . . . . . . . .

Pressinto um grande intervalo,

Deliro todas as côres,

Vivo em roxo e morro em som...


Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'

Be...


"Experience life in all possible ways — good-bad, bitter-sweet, dark-light, summer-winter. Experience all the dualities. Don´t be afraid of experience, because the more experience you have, the more mature you become."
Osho

Shunyata... nada...

"No princípio é natureza, no final é natureza. Então, por que criar tanta confusão no meio do caminho...? Por que ficar tão preocupado, tão ansioso, com tantas ambições, no meio do caminho por que criar tamanho desespero? Toda a jornada é do nada ao nada..."

Sensações...




Obrigada Nuno por "guardares" estes momentos!
És o meu fotógrafo favorito!!!
(Sim, e depois fazemos contas!!!)

Ápice...


Ápice


O raio do sol da tarde

Que uma janela perdida

Refletiu

Num instante indiferente

—Arde,

Numa lembrança esvaída,

À minha memória de hoje

Subitamente...
Seu efêmero arrepio

Ziguezagueia, ondula, foge,

Pela minha retentiva...

— E não poder adivinhar

Porque mistério se me evoca

Esta idéia fugitiva,

Tão débil que mal me toca!...
— Ah, não sei porquê, mas certamente

Aquele raio cadente

Alguma coisa foi na minha sorte

Que a sua projeção atravessou...
Tanto segredo no destino de uma vida...
É como a idéia de Norte,

Preconcebida,

Que sempre me acompanhou...

Mário Sá Carneiro

sitio do picapau amarelo www.omundomagicodelobato.com

Hum... viver é bom!

Verde, água, estrelas...











Hoje estou bem...
"Descomplicada"!!
Adoro a lua...




























Cromeleque dos Almendres... todos os solstícios que presenciou...
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