"...dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice..." Al Berto
"e ao anoitecer adquires
nome de ilha ou de vulcão
deixas viver
sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite
ensinas ao corpo
a paciência o amor
o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia"
Al Berto
Queixa e imprecações dum condenado à morte...
"Por existir me cegam,
Me estrangulam,
Me julgam,
Me condenam,
Me esfacelam.
Por me sonhar em vez de ser me insultam,
Por não dormir me culpam
E me dão o silêncio por carrasco
E a solidão por cela.
Por lhes falar, proíbem-me as palavras,
Por lhes doer, censuram-me o desejo
E marcam-me o destino a vergastadas
Pois não ousam morder o meu corpo de beijos.
Passo a passo os encontro no caminho
Que os deuses e o sangue me traçaram.
E negando-me, bebem do meu vinho
E roubam um lugar na minha cama
E comem deste pão que as minhas mãos infames amassaram. Com angústia e com lama.
Passo a passo os encontro no caminho.
Mas eu sigo sozinho!
Dono dos ventos que me arremessaram,
Senhor dos tempos que me destruíram,
Herói dos homens que me derrubaram,
Macho das coisas que me possuíram.
Andando entre eles invento as passadas
Que hão-de em triunfo conduzir-me à morte
E as horas que sei que me estão contadas,
Deslumbram-me e correm, sem que isso me importe.
Sou eu que me chamo nas vozes que oiço,
Sou eu quem se ri nos dentes que ranjo,
Sou eu quem me corto a mim mesmo o pescoço,
Sou eu que sou doido, sou eu que sou anjo.
Sou eu que passeio as correntes e as asas
Por sobre as cidades que vou destruindo,
Sou eu o incêndio que lhes devora as casas,
O ladrão que entra quando estão dormindo.
Sou eu quem de noite lhes perturba o sono,
Lhes frustra o amor, lhes aperta a garganta.
Sou eu que os enforco numa corda de sonho
Que apodrece e cai mal o sol se levanta.
Sou eu quem de dia lhes cicia o tédio,
O tédio que pensam, que bebem e comem,
O tédio de serem sem nenhum remédio
A perfeita imagem do que for um homem.
Sou eu que partindo aos poucos lhes deixo
Uma herança de pragas e animais nocivos.
Sou eu que morrendo lhes segredo o horror de serem inúteis e ficarem vivos. "
Ary dos Santos
Neste momento o meu desejo é realizar-me...
Neste momento o meu desejo é realizar-me.Mas como o irei conseguir,a menos que me tome num planetaonde habitam vidas dotadas de inteligência?Não é esse o objectivo de cada um de nós? Uma pérola é um templo construído pela dor à volta de um grão de areia.Que nostalgia nos construiu o corpo e à volta de que grãos? Quando Deus me lançou como um seixopara esse lago maravilhoso,perturbei a sua superfície em círculos inumeráveis.Mas quando alcancei as profundezas,tornei-me muito calmo. Concedei-me o silêncio e afrontarei a noite.Conheci um segundo nascimentoquando o meu corpo e a minha alma se amaram e desposaram.
Kahil Gibran
Nem um dia...
Um dia frio Um bom lugar prá ler um livro E o pensamento lá em você Eu sem você não vivo Um dia triste Toda fragilidade incide E o pensamento lá em você E tudo me divide Longe da felicidade e todas as suas luzes Te desejo como ao ar Mais que tudo És manhã na natureza das flores Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes Não te esquecerei um dia Nem um dia Espero com a força do pensamento Recriar a luz que me trará você E tudo nascerá mais belo O verde faz do azul com o amarelo O elo com todas as cores Pra enfeitar amores gris Um dia frio Um bom lugar prá ler um livro E o pensamento lá em você Eu sem você não vivo Um dia triste Toda fragilidade incide E o pensamento lá em você E tudo me divide Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes Não te esquecerei um dia Nem um diaEspero com a força do pensamento Recriar a luz que me trará você E tudo nascerá mais belo O verde faz do azul com o amarelo O elo com todas as cores Pra enfeitar amores gris
Djavan
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Uma Visão Chinesa de Imortalidade
"O conceito de vida eterna não tem nada a ver com ansiedade pela vida. A verdade é que não há morte de facto.Como é possível não haver morte? Porque, na verdade, existe não duas, mas uma única energia, uma força motriz que a tudo permeia, na raiz das actividades das nossas vidas. O Grande Vácuo, que é o ponto em comum de toda vida, já existe, e a vida nasce continuamente em seu interior. Então, qual a necessidade da vida ou da morte? É porque o nosso desejo pelas coisas toma proporções indevidas que nos desorienta e começamos a separar vida e morte. Se observarmos deste espaço de quietude e tranquilidade, veremos que nunca houve vida ou morte alguma. Evidentemente há apenas uma única energia fluindo e circulando." Do prefácio do Can Tong Qi Shuliu , 1564 ( retirado do livro " O segredo da vida eterna ")
1 comentários:
Nice shot esta da Ruiva... :)
*jinhos.
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